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sábado, julho 17, 2004

BEAT GENERATION - Um Modo de Vida (literatura vs. música)

Célia Lopes

O termo “Beat Generation” foi usado para rotular uma nova geração de artistas que criticavam o american way of life em meados de 1940. Enquanto as famílias americanas procuravam a estabilidade e o conforto nas suas vidas, toda uma legião de artistas procurava a quebra de regras, e uma vivência libertina, intensa e sem limites.
Primeiramente, os escritores “Beat” eram um pequeno grupo de amigos e depois, mais tarde, um movimento instituído e implementado no meio artístico americano.

O grupo inicial era constituído por Jack Kerouac, Neal Cassady, Allen Ginsberg, e William S. Burroughs. O termo “Beat Generation” foi inventado por Kerouac para identificar aqueles que queriam “deitar tudo fora, adquirir uma máquina de escrever, um carro velho e sair pelas estradas desertas, embriagar-se em hotéis baratos e expandir a consciência com psicotrópicos”, tornando-se no porta-voz e imagem principal de todo o movimento “Beat”. Autor da novela “Pela Estrada Fora”, Jack Kerouac criou uma obra que se tornou no expoente máximo de toda esta geração, pela sua inovação e frescura. Escrita de uma maneira fluida sem grandes preocupações e livre de preconceitos, esta obra contém todas as características que mais tarde definiu todo o estilo “Beat”.

Amigo e companheiro de viagens, Neil Cassady foi imortalizado nas obras de Jack Kerouac. Enquanto Jack escrevia sobre as suas experiências na estrada, Neil conduzia-o até elas. Sem grande obra escrita, Neil Cassady foi, sem dúvida, o homem menos prolífico da geração “Beat”, mas foi, no entanto, o homem que os inspirou na elaboração de obras magnificas, não só devido à sua natureza rebelde - ladrão de automóveis, refractário e bissexual - mas também devido ao seu estilo de escrita quase selvagem. As cartas de Cassady, escritas de maneira livre e directa, marcaram profundamente Kerouac. Uma maneira nova e rebelde de escrever surge pela mão de Neal Cassady, e Jack Kerouac “apropria-se” dela.

Assim como a obra, “Pela Estrada Fora”, foi um marco na escrita em prosa da “Beat Generation”, o “Uivo”, de Allen Ginsberg, foi o sumo supremo da poesia. Escrito em 1955 torna-se famoso aquando da sua leitura na, hoje famosa, Six Gallery. Este poema, publicitado como um atentado ao pudor, alcançou uma fama tremenda e tornou Allen Ginsberg num símbolo de depravação sexual. Estas duas obras tornaram-se nas grandes aspirações da Beat Generation, pela sua mensagem directa e desafiante. Inovador, Ginsberg torna-se no grande poeta dos Beats, pela sua poesia fresca e espontânea com um ritmo e uma musicalidade quase jazzística. O jazz torna-se, aliás, na principal inspiração destes escritores. O próprio termo “Beat” está-lhe directamente associado. Os Beats reuniam-se em tabernas escuras e fumarentas para ouvir os músicos de jazz a fazerem jams livres ao sabor da vontade. Bebiam imenso e declamavam os seus poemas ao som de um piano, um contrabaixo ou um trompete à desgarrada.

A característica que os aproximava era a liberdade e espontaneidade de um novo estilo de jazz: o Bebop. Músicos como Miles Davis, Dizzy Gillespie ou Charlie Parker transmitiam-lhes algo mais do que música: um modo de estar na vida, uma atitude e uma linguagem que os influenciou profundamente.

Censurados pela polícia, os autores da “Beat Generation” travaram lutas constantes para que as suas obras fossem publicadas. “Naked Lunch” de William Burroughs não conheceu destino diferente. No entanto, a censura acabou por ser o ingrediente fundamental para o sucesso das mesmas, e esta obra de Burroughs tornou-o numa celebridade underground. Ao viajar da América do Sul até ao Norte de África, foi escrevendo uma série de estórias que foram compiladas com a ajuda de Ginsberg. “Naked Lunch” foi o nome sugerido por Kerouac para esta obra. William S. Burroughs sempre negou o rótulo de escritor “Beat”, no entanto é considerado por muitos o favorito. Ainda hoje tem uma forte presença na literatura contemporânea, especialmente em grupos alternativos.

O movimento “Beat” foi muito importante na mudança de mentalidade e vital na abertura de outros valores, morais e sociais, influenciando fortemente uma nova corrente de escritores, cineastas, artistas e músicos.

sexta-feira, julho 16, 2004

Arrecadar Eosina

por Sloan StyroFoam baseado numa ideia de Eduardo Água-Pé

Carlos e Maria são casados há já vinte anos. Vinte anos dos quais os primeiros dois foram giros. E só giros. O resto foi uma estopada que se manteve com muita diplomacia e cordialidade e porque entretanto vieram os filhos. E logo três.

Carlos e Maria quase não fizeram nada na vida a não ser trabalhar. Ele bancário, ela funcionária pública, têm poucas coisas com que se divertir: ele vê futebol na televisão e lê jornais desportivos, ela vê telenovelas e um ou outro "talk show".

Nas férias pegam nos três ranhosos e vão passar uns dias à praia. Acampam num parque de campismo asseado e durante quinze dias, rodeados de outras famílias como a deles, e para relaxar. Relaxar e comer sardinha assada com pimentos.

Mas Carlos não é um homem completamente previsível; não senhor: de dois em dois ou de três em três anos quando está de férias, passa-se e manda a família toda para dentro do carro. Depois, sem uma palavra, de olho semicerrado, sorriso matreiro e condução frenética (por vezes ultrapassando mesmo os limites máximos de velocidade) leva-a até Espanha! Aí despertam-se os seus aguçados sentidos de consumidor selvagem, caramelos, camarão, chinelos, bonecos para os putos é a gastar.

A volta é que é o pior. Os putos vêm cansados e adormecem ainda no barco; quando chegam ao carro não param de vomitar devido à ingestão exagerada de Fanta ou qualquer outro sumo espanhol marado. A própria Maria não se sente bem, ou foi do camarão ou daquela San Miguel geladinha que tão bem lhe soube. E o Carlos ainda tem pela frente centenas de quilómetros até chegar ao parque. Mas foi uma aventura dos diabos, naquela aldeia, ou vila ou lá o que é aquilo, espanhola.

E durante o resto do ano? Trabalhar para comprar eosina. Por isso é que só de vez em quando vão a Espanha (é que é preciso poupar para arrecadar eosina). Sim, eosina, não vá acontecer alguma coisa aos meninos e eles não terem eosina. E a Ana este ano já vai para o liceu. É só despesas, e é sempre preciso comprar mais eosina.

O Carlos mandou deitar abaixo uma parede que dava da despensa para uma pequena arrecadação para ficar com uma imponente reserva de eosina. Mas isso foi em 1984. Agora já teve que mandar construir um barracão no quintal para servir de armazém de eosina. É que em casa já não cabia mais eosina.

Uns amigos vieram falar-lhe de uma possível viagem aos Açores. Já têm os filhos fora de casa, casados, a arrecadar eosina. Mas o Carlos e a Maria vão ter que sustentar os filhos por vários anos e vão ter que continuar a arrecadar eosina. Não, a viagem está fora de questão, aliás, este ano nem devem ir a Espanha. O Carlos teve que mandar arranjar o carro e o arranjo foi de vinte contos, ou seja, menos vinte contos de eosina que vão comprar este ano. Deus queira que não aconteça nada aos meninos porque não se sabe se o 12 mil litros de eosina que já conseguiram arrecadar serão suficientes.
E depois é o Pedro que não anda bom. O Carlos, homem experiente, acha que ele anda a fumar ganzas, mas ainda não disse nada à Maria. Mas ou é ganzas, ou é álcool.
Anda uma pessoa a arrecadar eosina para isto!

quinta-feira, julho 15, 2004

VIII ACASO - Festival Internacional de Teatro de Leiria

Pedro Miguel

Também conhecido como o Pedro de Queluz, Pedro Oliveira é actor e encenador do O Nariz – Teatro de Grupo, assim como também é um dos responsáveis pela organização do evento. Apesar das dificuldades, “the show must go on”.

O FestivalO ACASO” surgiu... por acaso, ou havia de facto necessidade em preencher uma lacuna na região de Leiria?
Pedro Oliveira: O Acaso surgiu na altura em que constituímos a associação (há 9 anos atrás) – O Nariz Teatro de Grupo, e um dos projectos que tínhamos em mente, para alem de fazer as produções de teatro era fazer um festival. Não apareceu por acaso, surgiu premeditadamente, e depois por brincadeira é que surgiu o nome “Acaso”. Mas realmente foi para preencher uma lacuna. Esta é a 8ª edição e há 9 anos atrás não havia nenhum festival de teatro nem em Leiria, nem nas cidades aí à volta. Agora já há um ou dois eventos de teatro, o da Alta Estremadura, e o Cenourém, mas realmente nós somos o festival mais antigo da região

Quais são as principais dificuldades em organizar um evento desta natureza?
As maiores dificuldades são a falta de apoios por parte das instituições. Nós trabalhamos muito com instituições públicas, e em oito anos, os apoios em alguns casos são os mesmos, e noutros, é inferior. O orçamento do primeiro Acaso é quase o dobro do de agora. Logo aí surge a principal dificuldade. Existem outras, mas nós conseguimos mais ou menos “dar a volta ao texto”, porque conhecemos grupos, temos contactos com pessoas ligadas ao teatro no país e conseguimos trazer cá algumas coisas através de permutas de espectáculos. De outra maneira seria completamente impossível. Tem que ser desta forma.
O que impede que o festival seja cada vez maior é a falta de apoios, ou a manutenção dos mesmos ao longo dos anos. A qualidade está lá, mas perde-se em termos de quantidade, de diversidade.

E qual é a maior satisfação em fazer um festival?
É o público! O motivo de maior de satisfação é o que acontece todos os anos, ou seja, o facto de haver cada vez mais público. É principalmente por causa disso. Porém, também são os objectos artísticos que se apresentam. Há a preocupação em termos de qualidade e que sejam espectáculos que só passam em Leiria através do Acaso. Mas nós fazemos as coisas para o público. É principalmente por causa disso. O Acaso não tem fins lucrativos. È um evento que se cria, e ao fazer o balanço tem que estar a zero. É algo que não dá lucro e de preferência que não nos dê prejuízo. Se tivéssemos mais apoios poderíamos trabalhar de uma forma mais desafogada e, o mais importante, conseguiríamos fazer melhor!

No que diz respeito ao Nariz Teatro de Grupo, também sentem essas mesmas faltas de apoio?
É uma coisa diferente do Acaso. O que conseguimos com o Nariz é montar os espectáculos e vendê-los tanto para a zona de Leiria, como para fora. Enquanto que o Acaso tem que chegar ao fim a custo zero, a finalidade do grupo de teatro é montar os espectáculos e vendê-los. Tem uma finalidade diferente, mas de qualquer maneira os apoios também são diminutos.

Já se deu a internacionalização do festival: E a do grupo de teatro?
Já fomos a Cabo Verde e temos uma hipótese de ir a França, a um festival de teatro mais para o fim do ano, ou no início de 2004. Mas sobretudo andamos aqui em Portugal, temos ido a vários festivais. Os espectáculos que fazemos não são só para o público daqui, são também para fazer no maior número possível de locais por esse país fora. Isso é que dá algum reconhecimento ao grupo, actuar em festivais que outros também organizam. Sermos reconhecidos só aqui em Leiria, não chega.. É completamente impossível estar-se só num sítio. Não vamos a todos os festivais, mas somos cada vez mais solicitados.

Paralelamente ao grupo profissional também existe um outro destinado à formação teatral...
Já o fazemos há vários anos. De vez em quando juntamos um grupo de pessoas e tentamos ensinar alguma coisa em termos de teatro e depois, normalmente, montamos uma peça. Isso também faz parte das actividades do Nariz. Em nove anos já fizemos cinco espectáculos com gente desse grupo de formação.

Procuram dar uma vertente pedagógica?
Não pensamos muito nisso. Não fazemos grandes elaborações de conteúdos. As coisas surgem naturalmente. O grande objectivo é simplesmente pegar em pessoas com pouca ou nenhuma experiência, e ao fim de alguns meses estarem em cima de um palco. Ao fazer um trabalho destes, só dá tempo para fazer aquilo que se sabe, que é tentar transmitir alguns conhecimentos, pôr as pessoas à vontade, sem medo do público (isso faz-se através de exercícios) e no final, fazer um trabalho de teatro. Os objectivos são muito simples.

Luís Mourão – o escritor de serviço

Têm trabalhado de uma forma mais ou menos regular com o dramaturgo Luís Mourão. A que se deve essa aproximação?
O Luís Mourão também faz parte da associação. Cada vez que há uma ideia, falamos com ele. Porque além de ser dramaturgo é uma pessoa que nos conhece muito bem. Ele escreve directamente para o actor e isso é uma vantagem porque assim resulta num trabalho mais personalizado. Por haver essa proximidade, é o escritor com quem mais gosto de trabalhar!

quarta-feira, julho 14, 2004

Banda Sonora

(o que certas pessoas ouviam em 2003)

Geral:
OLD JERUSALEM - April
NEW ORDER - Retro
BECK - Sea Change
RADIO 4 - Gotham
SPIRITUALIZED - Complete Works Vol. 1
CHICKS ON SPEED - Will Save Us All
THE ALLSTAR PROJECT - Berlengas Connection ep
BLUR - Think Thank
WHITE STRIPES - Elephant
THE SMITHS - Queen Is Dead

Em particular:
Carlos Matos:
Internacional - 1. THE ANGELS OF LIGHT "everything is dood here/please come home" * 2. COLDER "again" * 3. MATT ELLIOT "the mess we made" * 4. SMOG "supper" * 5. MUGISON "lonely".
Nacional - 1. KAFKA "fantome intro das waltz" * 2. DAVID FONSECA "sing me something new" * 3. OLD JERUSALEM "april" * 4. MOONSPELL "antidote" * 5. GHOAK "some are weird"

Catarina Sacramento:
Internacional - 1. MANITOBA "up in flames" * 2. BLACK REBEL MOTORCYCLE CLUB "take them on, on your own" * 3. FOUR TET "rounds" * 4. THE MATHEW HERBERT BIG BAND "goodbye swingtime" * 5. BONNIE PRINCE BILLY "master and everything"
Nacional - 1. OLD JERUSALEM "april" * 2. SPACEBOYS "science friction" * 3. HOUDINI BLUES "extravaganza" * 4. MOURAH "from one human being to another" * 5. LOOPLESS "loopless"

Célia Lopes
Internacional - 1. YEAH YEAH YEAHS "fever to tell" * 2. AND ALSO THE TREES "further from the truth" * 3. COLDER "again" * 4. DEINE LAKAIEN "live in concert" * 5. SMOG "supper"
Nacional - 1. KAFKA "fantome into das walz" * 2. MOONSPELL "antidote" * 3. MÃO MORTA "carícias malícias (ao vivo)" * 4. AENIMA "sentient" * 5. OLD JERUSALEM "april"

João Diogo
Internacional - 1. ARCH ENEMY "anthems of rebelliom" * 2. OPHET "damnation" * 3. TYPE O NEGATIVE "life is killing me" 4. TIAMAT "prey" * 5. KRISTEEN YOUNG "bresticles"
Nacional - 1. MOONSPELL "the antidote" * 2. GHOAK "some are weird" * 3. THE LEGENDARY TIGGER MAN "fuck christams I've got the blues" * 4. X-WIFE "rio ep" * 5. RAMP "nude"

Paulo Silva
Internacional - 1. BLUR "think thank" * 2. LADYTRON "softcore jukebox" * 3. THE WHITE STRIPES "elephant" * 4. THE RAPTURE "echoes" * 5. YEAH YEAH YEAHS "fever to tell"
Nacional - 1. THE ALLSTAR PROJECT "berlengas conection ep" * 2. OLD JERUSALEM "april" * 3. ALLA POLACA / STOWAWAYS "...why not you?" 4. DAVID FONSECA "sing me something new" * 5. X-WIFE "rio ep"

Pedro Lagoa
Internacional (sem ordem preferêncial) - WHY? "oaklandazulasylum" * YEAH YEAH YEAHS "fever to tell" * ANTI POP CONSORTIUM "antipop vs. mathew ship" * BONNIE PRINCE BILLY "master and everyone" * KID 606 "kill sounds before sounds kill you"

Pedro Miguel
Internacional - 1. CAT POWER "you are free" * 2. M 83 "dead cities , red seas & lost souls" * 3. YEAH YEAH YEAHS "fever to tell" * 4. MANTA RAY "estratexa" * 5. MATMOS "civil war"
Nacional - 1. OLD JERUSALEM "april" * 2. THE ALLSTAR PROJECT "berlengas conection ep" * 3. DAVID FONSECA "sing me something new" * 4. KAFKA "fantome into das walz" * 5. TORANJA "esquissos"

terça-feira, julho 13, 2004

Miss

Paulo Kellerman

Quando ganhei o concurso, disseram-me: agora éa a mulher mais bonita do mundo. E fui Durante um ano.
Mas, depois houve outro concurso. E disseram a uma moça muito alta e magra (bastante mais feia do que eu): agora, és amulher mais bonita do mundo.
Pensei: Foda-se! E agora, sou a segunda mais bonita?
Olhei-me ao espelho: tudo no sítio, tal e qual como há um ano.
Porque que motivo já não sou a mais bonita?
Foi então que começei a pensar: se a matar, voltarei a ser a mais bonita...
(Agora pelo menos, sou a mais bonita da prisão).

Retirado do livro "Miniaturas" - Prémio Especial Manuel Teixeira Gomes - 2000, Edições Colibri.


segunda-feira, julho 12, 2004

Manifesto

Fuentez

AVISO
Este local só é seguro
a alguns dias da semana,
e só a certas horas!

domingo, julho 11, 2004

FADE IN 2003 - III Mostra Itinerante de Música em Leiria

Pedro Miguel

Não se sabe bem porquê, Leiria sempre foi vista por pessoas de outras localidades, como uma cidade “underground”. Quem mora na cidade do Liz, sabe que isso não é bem verdade. Falta muita coisa, sobretudo infra-estruturas. Sempre se teve a fama. Porém agora, timidamente... começa-se a ter algum proveito.

Com o intuito de preencher uma lacuna relativa à falta de espaços e concertos no centro da cidade, surge em 2001, o Fade In. Dividindo os palcos entre o Orfeão Velho de Leiria e o Auditório do IPJ, começou por ter nas duas primeiras edições, bandas do distrito de Leiria, tais como: Loto, Gomo, Canker Bit Jesus, Dramafall, New Naked Soundz, The Allstar Project, entre muitas outras. No entanto, devido ao sucesso que obteve, graças a uma grande afluência de público, bandas de outros pontos do país também apareceram. Em 2003, dá-se a internacionalização do festival.

Como consequência disso, este ano já por lá passaram em Março, os italianos Ashram, um trio napolitano com raízes na escola neo-clássica. No mês seguinte, calhou a vez aos teatrais e enigmáticos Assacínicos, de Leiria. A 10 de Maio, em parceria com as Invenções La Strada, os Micro Audio Waves (projecto paralelo de Flak dos Rádio Macau) fizeram a primeira parte da bela, sexual, selvagem e explosiva Kristeen Young, colaboradora norte-americana de David Bowie.
Dez dias depois, aconteceu um dos momentos mais altos do festival, com os Smog. Liderados por Bill Callahan, que é considerado por muitos, um dos maiores escritores de canções do mundo! A banda de culto norte-americana, veio a Leiria apresentar “Supper”, o seu 12º álbum. Como banda de suporte (de luxo), estiveram as britânicas Bridget Storm que, habituadas a esta posição, já fizeram outras primeiras partes de formações como, Low ou Arab Strap.
Em Junho, antes de uma pausa estival, calhou a vez aos Dwelling, um ensemble oriundo de Lisboa, que praticam uma música delicada, jazzística e com laivos de neo-clasissísmo.

A internacionalização do público.

A 18 de Outubro, o evento voltou ao activo com um concerto muito especial. Actuaram os germânicos Deine Lakaien, pela primeira vez em Portugal numa carreira de 18 anos. Trouxeram um concerto exclusivo em moldes acústicos, ao contrário do som electrónico que habitualmente praticam. Por se tratar de uma actuação com características tão raras, também foram feitas reservas a partir da Alemanha, disse Carlos Matos da organização à NOMErevista. O Auditório do Orfeão Novo de Leiria, recebe pela primeira vez, um concerto com a assinatura do Fade In.
Ricardo Graça, músico cuja banda, os Electric Lady Land, foi convidada a tocar nesta III edição, a 1 de Novembro, diz com entusiasmo «Seria bom que no futuro houvesse espectáculos durante todo o ano». Este concerto foi feito com a parceria do VIII Acaso – Festival de Teatro de Leiria.

Um dos principais objectivos, é combater a mentalidade elitista de Leiria. O Fade In faz-se com uma estrutura, que cresceu nos últimos tempos, jovem, não profissional e não remunerada.
Segundo os organizadores, «esta Mostra foi, é, e sempre será pautada por um ecletismo que visa ser representativo dos vários movimentos estéticos que povoam os diversos quadrantes da música alternativa».
Os concertos são vistos por um público bastante variado, sem preconceitos, que vai à procura de novas sonoridades. «Isso faz deste festival um acontecimento cultural cada vez com mais relevância na cidade de Leiria», referem. Também lembram que só lhes interessa, como sempre disseram, cobrir as despesas. O lucro, esse, fica para a cidade.

Anexo (não fazia parte da entrevista, mas a malta achou pertinente. Vai daí, fomos sacar esta informação adicional a www.fadeinfestival.com)

A primeira parte do Fade In 2004, foi também composta pelos concertos da norte-americana Mirah, dos portugueses Old Jerusalem e Alla Polacca, dos italianos Ataraxia, dos germânicos Das Ich, e dos britânicos Sieben e Hawthorn. A segunda parte do Fade In 2004 volta em Outubro.
Para já, podemos revelar-vos a confirmação de um espectáculo, com data exclusiva em Portugal, com os franco/hispânico/germânico/helvéticos, estrondosamente artísticos, multidisciplinares e militantes...Von Magnet!
Dança, Sapateado, Teatro, Canto e Poesia, adornados por uma sonoridade reconhecidamente única de Electro-Flamenco pós-industrial de reminiscências étnicas!

Info line: 00 351 244 836 688
E-mail: alquimiazone@mail.pt
Site:
http://fadeinfestival.com/