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segunda-feira, agosto 09, 2004

Poema de Amor

Porco General

estaria no seu trabalho, acabaria por gozar com o momento, e de nenhures caemblocos de feijão para que eu goze de uma forma intencional. não. na atitude que tenho é mais saudável encontrar uma pêra que cante e me saiba tirar de dentro do cofre. perdemos a oportunidade e nem sequer nos damos ao trabalho de parar para escutar. e volta a perder deliberadamente a vontade de ser. dá-me uma perspectiva de garrafa. dá-me uma volta de arame de aliteração. puxa-me um olho e diz lá para dentro que ainda me falta um pacote de sangue. diz-me que posso dar um nome ao dia. Acavalga-me! sobe para o meu dorso e chupa-me as costas mas não me pintes de amarelo. e depois mudas de estratégia. fazes um parágrafo de azeite e voltas a acordar. ouves-me? és tu que me sugeres uma alameda alta como um abismo e lhe puxas os montes não deixando que eu e os outros possamos cair? volta a pôr-me o olho no lugar e atarracha-o com agrafos. rapidamente eu deixo o quarto que nem um cretino que reforça latas temáticas. 1998, sobe-me. só tenho de usar palavras como “natalidade, enlatados, fígado, acrílico, cerejas" e alguma paciência. mas puxam-nos com fios para o céu e levam-nos por montes menos escorregadios. são montes que muitas vezes utilizamos para substituir uma expressão... avião. e deixamos de trabalhar, roubas-me os alimentos e parece que não tens dedos e como tal tenho que ser eu a tirar o olho... mas eu sou mudo.