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segunda-feira, agosto 02, 2004

João Pedro Pais - um resto de tudo

Anónimo

João Pedro Pais é, para alguns, o melhor músico da sua geração. Para outros é o "Robbie Williams português". Para mim é um dicionário de rimas ambulante.

Um dicionário de sinónimos Porto Editora, uma Enciclopédia e o CD "Falar por Sinais" são o necessário para uma tarde bem passada a fazer Palavras-Cruzadas.

Mas não nos fiquemos só pelo riso sufocado enquanto desligamos rapidamente a RFM.

Numa primeira tentativa de encontrar o real significado de cada verso por detrás do elevado estado alcoolizado do autor,tenho o prazer de apresentar uma análise cuidada do hit "Um Resto de Tudo".

Um Resto De Tudo
Desce pela avenida a lua nua
(Estou a descer uma avenida à noite)

Divagando à sorte, dormita nas ruas
(Estou desorientado e com sono. Ao usar ruas em vez de "avenidas" já consigo quase rimar com lua nua)

Faz-se de esquecida, a minha e tua
(Não sei o que acabei de escrever mas pelo menos "tua" também rima com lua nua)

Deixando um rasto, que nos apazigua
(Lua, nua, ruas, tua, apazigua. Boa. Vem aí o refrão!)

Refrão: Sou um ser que odeias mas que gostas de amar
(Uma contradição fica sempre bem)

Como um barco perdido à deriva no mar
(Grandiosa comparação: "Um ser que odeias mas gostas de amar como um barco perdido à deriva no mar". As outras hipóteses eram "como um pássaro ferido a tentar voar" e "como um bife vendido, num talho do Lumiar")

A vida que levas de novo outra vez
("De novo outra vez", espero que seja suficiente para passar a ideia de repetição)

O mundo que gira sempre a teus pés
(A Terra gira sobre si própria. É um facto. Já Copérnico o afirmava, mas nunca foi Disco de Platina)

Sou a palavra amiga que gostas de ouvir
(Tu e mais 120 mil que compraram a merda do cd)

A sombra esquecida que te viu partir
(Pá, fica mesmo giro isto de meter sempre um adjectivo estranho à frente dos nomes: palavra amiga, sombra esquecida, noite vadia...)

A noite vadia que queres conhecer
(Abordagem a problemas sociais como a vadiagem e a prostituição)

Sou mais um dos homens que te nega e dá prazer
(Mais uma contradição, estou imparável!)

A voz da tua alma que te faz levitar
(Um certo exotismo oriental)

O átrio da escada para tu te sentares
(Não rima muito bem com levitar,damn it! )

Sou as cartas rasgadas que tu não lês
(Não entendo pá, será que ela não gosta dos meus poemas?)

A tua verdade, mostrando quem és
(O que é a Verdade? Quem somos? Para onde vamos?)

Entra pela vitrina surrealista
(Eu optava pela porta, mas isso sou eu)

Faz malabarismo a ilusionista
(Ou "faz contorcionismo a trapezista")

Ilumina o céu que nos devora
(Estou completamente pedrado)

Já se sente o frio, está na hora de irmos embora
(Devora, hora, embora...)

Sou um ser que odeias mas que gostas de amar Como um barco perdido à deriva no mar...
(gostava mais do bife no talho do Lumiar, mas o que
fazer...)

1 Comments:

Anonymous alexandre louro said...

Foi há um ano, mas merece outro tanto de palmas. Divinal embora clara ficção: não me parece que o Pais tenha botões tão criativos para pensarem assim com ele.

7:25 da tarde

 

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