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sábado, julho 31, 2004

Larachas e outros reflexos sobre os Òscars

Drago, correspondente na Alface

Após um vai-não-vai-mas-foi, a NomeRevista está nos balcões dos melhores bares, boutiques, drogarias e algumas livrarias do país. A avaliar pelo sucesso da revista na Brandoa, Mem Martins, Alverca e Campo de Ourique, temos uma publicação com futuro.

Servindo este espaço para graves e agudas considerações sobre o que se vai passando no mundo do cinema, acho bem, e actual, mandar umas larachas sobre a entrega dos Óscares, bonecada essa que será entregue, no próximo dia 29 de Fevereiro, num pavilhão com um tapete vermelho na entrada, rodeado por canadianas com avançados, montadas por meninas que gostam do Justin Timberlake e do canastrão do Russel Crowe.

O local exacto da cerimónia ainda não foi revelado, por razões de segurança. Mas ao que a NomeRevista apurou, a festa deverá ter lugar numa cidade construída para o efeito, ali para os lados do Curdistão, aproveitando assim a presença do militares americanos na zona. Caso queiram assistir na televisão ao desfile, e vos disserem que a festa se está a passar no Kodak Theatre, em Hollywood Boulevard, não acreditem.

Está tudo montado no Médio Oriente.

Este ano, a 76ª edição dos Óscares da Academia é novamente apresentada pelo engraçado Billy Crystal, que vai animar a noite de domingo com umas graçolas bem ao jeito das outras 75 edições anteriores. A transmissão televisiva é da responsabilidade da cadeia ABC, o evento é patrocinado pela Cadillac e o poster original pode ser adquirido pelo nº de telefone 800-554-1814 e custa 25 dólares (por 40 dólares, a NomeRevista avança com o poster da próxima edição). Para além disto, há filmes nomeados em 20 categorias diferentes.

Este ano, O Senhor dos Anéis, com 11 nomeações, incluindo a de melhor filme, aparece na linha da frente para arrebatar o maior número de estatuetas, apesar de eu achar que merecia, ainda, ser nomeado para a categoria de Melhor Filme de Animação e, assim, disputar o prémio com o Nemo, que acabou por ser encontrado, felizmente. A novela realizada pelo neo-zelandês Peter Jackson, feita de rajada e partida em três, para alimentar o mercado branco e negro, comete uma flagrante injustiça com o pequeno Sam, personagem interpretada pelo actor Sean Astin.

Neste último filme, apesar de ter passado pelas brasas em algumas batalhas, pude constatar, no final (depois daquelas cenas em câmara lenta a fazer lembrar os gloriosos finais das novelas da Globo), que o Sam é o verdadeiro herói do filme; sem ele, o Frodo não era ninguém; sem ele, aquela malta (mortos e vivos) bem podia lutar, que jamais conseguiria fazer o bem prevalecer sobre o mal – afinal de contas, a razão principal daquela gente toda.

Para os leirienses, O Senhor dos Anéis tem outro significado: da freguesia dos Milagres saíram as selas para os cavalos que entram nos 580 minutos de filme. Assim, depois do Carlos Vieira ter andado oito dias com um bife debaixo do cu, voltamos a ter um compatriota famoso por semelhantes razões.

Nota: com a distribuição da Nome Revista pelos meios intelectuais alfacinhas, recebi um reparo -- a definição correcta para o escanzelamento da Kate Moss e do Vincent Gallo é «Heroin Chick» e não, como referi na altura, «Heroin Look». Por outro lado, o filme The Brown Bunny deveria ter estreado em Outubro do ano passado, mas ao que parece, o senhor Gallo ainda não está satisfeito com o resultado final. Neste momento, o filme não tem prevista data de estreia em Portugal.