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domingo, outubro 12, 2003

NOMErevista nº 0 - Editorial

Pedro Miguel

Leiria, 12 de Outubro 2003

A 20 de Agosto de 2003, Eduardo Dâmaso, sub-director do jornal Público, escreveu: "Nao se pode (...) divergir, exprimir reticências, criticar activamente as opções de quem governa, sob pena de passar por mau português. tolinho ou perigoso radical. O debate poli­tico deve assim, situar-se muito proximo do grau zero ou mesmo na sua inexistência absoluta".
Neste clima de algum descontentamento, surge a NOMErevista. Sem entrar em grandes fatalismos, fica assim criado um espaço, onde a palavra e imagem são livres. Porque há diferentes pontos de vista, num mundo que sempre foi plural, multi-cultural.
Mostra-se como um projecto feito por colaboradores com provas dadas, dos mais variados quadrantes, mas que partilham da mesma atitude. Participações nas mais diversas áreas (música, cinema, teatro, fotografia, arquitectura, opinião...), fazem deste número zero um motivo de orgulho para todos. Aqui combate-se a inércia, com os meios que estão a disposição.
Se alguém pede apoios, torna-se num subsídio-dependente. Se ninguém faz nada, é o reflexo de uma geração desinteressada e não produtiva. Quando acontecem eventos culturais, e alguém tem o azar de duvidar da sua qualidade, passa por mal agradecido e não dá valor àquilo que lhe é impingido, perdão... oferecido. Nao há espaço para se questionar se se pode fazer melhor, ou mais importante, fazer de modo diferente!
Parece não haver lugar para a discussão de novas ideias, está tudo muito formatado. Se uma pessoa tem a oportunidade de fazer algo inovador, é olhado com desconfiaça. Existe uma falsa tolerância. Dizem alguns:
" Somos tão porreiros que até te deixamos fazer isto. Já viste?... Nem sabes a sorte que tens!". Como se esse alguém fosse inferior aos outros só porque seguiu uma outra via.
A questão do Serviço Público também passa por aí. Afinal, quem é quem para decidir o quê? A Nomerevista quer apenas contribui­r com novos conteúdos, novas pistas. Sem snobismos nem verdades absolutas.
A opção de não haver uma clássica hierarquia editorial, não significa sinal de desleixo, amadorismo ou fuga às responsabilidades. Trata-se de adoptar um rumo arrojado que acaba por ser a imagem de marca desta edição trimestral.
A NOMErevista tem um espaco físico, contactos e um nome! Estará sempre receptiva ao retorno dos leitores. E se há de início uma estrutura base com três pessoas é porque, quanto mais não seja, alguém tem que fechar a porta quando saír. Obrigado a todos!